Os novos coados!

Confiram o artigo do nosso mestre de torra Léo que está atualmente no site da Casa Santa Luzia:

É sabido que, de tempos em tempos, o que era velho vira novo. Aquelas coisas antigas e esquecidas, que ninguém mais dá valor, de repente passam a se tornar objetos de adoração, seja pelo seu charme, história ou pela lembrança que elas carregam. Esse é exatamente o caso do café coado, que está se reinventado e pouco à pouco reconquistando seu espaço nos lares e cafeterias do mundo.

Nos últimos 10 a 15 anos, com a chegada no Brasil dos cafés gourmet e do expresso, ou em italiano, espresso, cresceu de modo vertiginoso o consumo de café na rua. As máquinas de espresso com seus moinhos trouxeram ares de novidade e introduziram a cultura italiana de beber café. Espressos, cappuccinos e lattes passaram a fazer parte da nossa vida. Infelizmente, nesse processo, por pura falta de informação ou mero modismo, o café coado, preferência número 1 dos brasileiros, foi sendo tratado como inferior, o patinho feio da família. Filter Coffee_Terroá

Tudo mentira! Um bom café tem o potencial de revelar uma bela xícara, independente do método. O problema é que os coados eram preparados com cafés de baixa qualidade, ultra-torrados, pra não dizer queimados, moídos há 6 meses, fervidos com açúcar e passados no pano utilizado por 3 meses ou mais. Resultado: café ruim! Mas a culpa não é do método e sim desse conjunto infeliz! E afinal, essa mesma receita pode ser vista por aí nos espressos das esquinas, bebidas super queimadas, amargas e sem vida, que caem como uma pedra no estômago.

O que é então esse novo café coado? Nada mais é do que uma sofisticação e uma diversificação dos métodos de preparo manual. São cafés feitos com paixão, conhecimento e grãos de alta qualidade torrados em pontos de torra mais claros e de preferência moídos na hora. O tradicional pano de coar foi substituído por filtros de papel, belas peças de cerâmica cheias de design e bules super charmosos. Um exemplo é a Hario V60, com seu design em cônico em espiral. Ou a belíssima Chemex, que lembra um decanter de vinho, perfeita para preparar café para 3 ou mais pessoas. Ou a engenhoca científica Aeropress, que busca coar sob pressão. Há ainda a prensa francesa, que não é exatamente um método coado, mas como não é feito com máquina, acaba entrando na família.

E nessa nova onda, o moinho de café ganha papel central. Afinal, café é igual a pão, quanto mais fresco, melhor! Quem só bebe café moído na hora sabe a enorme diferença que isso faz. Toda potência aromática do grão ali, viva e vibrante! Direto para a xícara! Então não basta ter os acessórios, tem que ter um moinho em casa ou comprar grãos moídos na hora na padaria para serem consumidos em até uma semana.

Resumindo: café coado é tão bom quanto o espresso. Apenas é mais lento, ideal para quem curte o ritual de preparo e gosta de apreciar as nuances da bebida. É um café que valoriza os aromas e a complexidade do café e enche o ambiente com um cheiro delicioso que ninguém esquece.

Nada contra o espresso, mas esses novos coados são demais!

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