Moço, que ano é esse, hein?

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A seca no sertão da Bahia está braba! Está na capa dos jornais nacionais. E na feira de Piatã o assunto mais importante também é esse. É a pior seca em 40 anos!

Na Chapada Diamantina, a época das chuvas começa geralmente em outubro e vai até abril. Às vezes, tem um veranico em janeiro, mas em fevereiro ou março vem o alívio e só a partir de maio começa o período tradicionalmente seco. As chuvas vão ficando mais finas e mais raras e o frio vai aumentando. A partir de julho começa o período das queimadas. Mas esse ano foi muito diferente. A última chuva que por aqui caiu foi em 10 de janeiro e já estamos há quase 90 dias sem chuvas. O máximo que caiu foi o que se chama por aqui de apaga-pó, uma chuva fina e curta que não chega a molhar a terra, mas assenta a poeira. Continuando assim, teremos uma seca de 9 meses, algo totalmente atípico.

O milho do vizinho amarelou antes de encher os grãos. O tradicional feijão dos fins, plantado com as chuvas de março não foi plantado. O nosso amigo fornecedor de massa de beiju produzida no município de Abaíra comenta que não se lembra de uma seca dessa desde a infância. A mandioca parou de produzir a tapioca fina. Ele não vem mais para feira.

E quem não entendeu a dimensão da brabeza ainda, vai entender vendo as caras dos produtores de café. Desanimo. Tristeza. As folhas estão amarelando, apontadas para baixo.  A planta do café é muito rústica e resistente, não morre, ela aguenta um período longo sem chuva. Mas o prejuízo para a produção é muito grande. Os frutos “madroçem” a pulso e os caroços não se formam.

Vai ter produção de café esse ano? Vai. Mas vai ser um ano de quebra de safra. A colheita esse ano deve acontecer um a dois meses antes do período normal e boa parte dos frutos devem estar vazios.  Um prejuízo enorme!

Continuamos esperando as chuvas. Se alguem tiver linha direta com São Pedro, agora é uma boa hora para bater um papo.

Veja mais sobre a seca no Jornal Nacional ou na Folha!

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